O restaurante Laurentina – O Rei do Bacalhau assinala 50 anos de atividade em Lisboa.
Fundado em 1976 por António Francisco Pereira, o espaço mantém-se na Avenida Conde de Valbom e é atualmente gerido pela segunda geração da família, os irmãos Rita Pereira e Marco Pereira, filhos do fundador.
A história do restaurante está ligada ao percurso de António Francisco Pereira, natural do Fundão, que viveu durante mais de duas décadas em Moçambique. Em Lourenço Marques, atual Maputo, fundou o restaurante Leão D’Ouro, onde desenvolveu a sua ligação à restauração e à preparação do bacalhau, cruzando influências da Beira Interior com referências da cozinha moçambicana.
Após o regresso a Portugal, em 1976, António Francisco Pereira abriu o Laurentina em Lisboa. O nome remete para os habitantes de Lourenço Marques, conhecidos como laurentinos, e também para a cerveja moçambicana Laurentina. Em 1986, com a mudança para a localização atual, no número 71 A da Avenida Conde de Valbom, o restaurante passou a assumir a designação “O Rei do Bacalhau”.
A especialização em bacalhau continua a marcar a identidade da casa. O restaurante trabalha com bacalhau proveniente da Islândia, que chega inteiro e é depois cortado, demolhado e preparado internamente. Segundo a atual gestão, os métodos de confeção seguem práticas transmitidas pelo fundador, incluindo a preparação diária de sobremesas, salgados e pratos principais, bem como a utilização de grelha a carvão.
“Respeitamos muito o trabalho do nosso pai e queremos que o Laurentina mantenha a essência de sempre”, afirmou Rita Pereira, filha do fundador e atual responsável pela gestão do Laurentina – O Rei do Bacalhau. “Conseguiu adquirir um conhecimento profundo da arte de preparar o bacalhau ao longo de mais de 20 anos, um dos seus produtos favoritos, e quando chegou a Portugal voltou a repetir o sucesso anterior, com um restaurante que começou do zero.”
A carta inclui atualmente 12 pratos principais de bacalhau, além de outras propostas ao longo do menu. Entre as especialidades estão bacalhau lascado especial, bacalhau à Brás, pataniscas de bacalhau, bacalhau com broa, arroz de bacalhau e espinafres, bacalhau com natas e espinafres, bacalhau coroado à Laurentina, bacalhau à minhota, rabos de bacalhau, bacalhau alto assado, bacalhau alto cozido e couvada de bacalhau à Pereira da Laurentina, prato ligado às origens beirãs da família.
O restaurante mantém também pratos de cozinha portuguesa e referências à influência moçambicana do percurso do fundador. A carta inclui polvo à lagareiro, bife do lombo à Laurentina, secretos de porco, robalo grelhado com batata-doce, moqueca de bacalhau e camarões tigre à moçambicana. Existem ainda saladas, uma opção vegetariana de Brás de legumes e sobremesas tradicionais, como mousse de chocolate, arroz doce, baba de camelo, leite-creme queimado e pastel de nata caseiro.
Nos últimos anos, Rita Pereira e Marco Pereira introduziram pratos do dia fixos durante a semana. À segunda-feira são servidas migas de bacalhau com feijão-frade e couve; à terça-feira, bacalhau à Gomes de Sá; à quarta-feira, bacalhau espiritual; à quinta-feira, açorda de bacalhau e gambas; e à sexta-feira, bacalhau à Zé do Pipo.
“Desde que assumimos a gestão do restaurante, o nosso objetivo foi preservar o legado do nosso pai e assumir cada vez mais o Laurentina como uma referência de pratos de bacalhau no nosso país”, referiu Marco Pereira, filho do fundador e atual responsável pela gestão do Laurentina – O Rei do Bacalhau. “Alargámos o número de pratos, introduzimos o prato do dia, temos mais sobremesas e uma garrafeira selecionada.”
A garrafeira reúne mais de 50 referências de vinhos portugueses de várias regiões, incluindo Douro, Dão, Alentejo, Tejo e Beiras, com vinhos tintos, brancos, rosés, verdes e espumantes.
A equipa conta atualmente com 50 pessoas. Para os atuais responsáveis, a continuidade do projeto passa por preservar a matriz tradicional da casa, mantendo adaptações ao serviço, à carta e ao espaço.
“Não queremos mudar para ir ao encontro de tendências, mas sim mudar para melhorar cada vez mais a nossa oferta”, afirmou Rita Pereira. Marco Pereira acrescentou que “o legado do nosso pai é a base do Laurentina, mas hoje é também fruto da nossa visão de futuro, numa continuidade do que aprendemos e herdámos combinada com novas ideias”.
O Laurentina dispõe de duas salas interiores, com capacidade para 60 pessoas no piso superior e 100 no piso inferior, além de uma esplanada com 40 lugares. O preço médio situa-se entre 35 e 40 euros por pessoa. Segundo o restaurante, o consumo anual de bacalhau ronda as 30 toneladas, com maior procura na época natalícia, em que são vendidos cerca de 200 pratos de couvada, entre consumo no restaurante e takeaway.